sábado, 11 de novembro de 2017

Chapters & Scenes #2 | Banda Desenhada

Uiiiii! Se já toda esta rubrica é um desafio e tanto para mim, quando vi que para novembro o tema era banda desenhada estremeci!
Tenho lido menos do que gostava (e também menos do que devia) quanto mais ir agora pensar em ler banda desenhada!
Não sou de riso fácil, aliás dificilmente acho piada ao que quer que seja, por isso, banda desenhada, que é um tipo de leitura que rapidamente (não sei se corretamente ou não) associo a piadinhas e graçolas, acabou por ficar sempre de parte.
Lembro-me de o meu pai quase me implorar para ler os livros de banda desenhada dele, de mil-novecentos-e-setenta-e-troca-o-passo, dizia-me que aprendeu muito com eles quando eram pequeno e que eram muito engraçados - ora lá está: eu nunca fui pessoa de engraçados! Lembro-me que os livros tinham as páginas já amarelas e um cheiro característico a livros velhos que não era de todo desagradável, no entanto, nunca consegui ler um dos livros dele até ao fim. Li umas páginas de um do Tio Patinhas e umas outras páginas de um do Mickey e deixei de lado imensos do Kalar, do Tarzan, Trovão e outros que não me lembro já dos nomes. Eram mesmo muitos e tenho uma imagem clara na minha mente de o meu pai a empilhá-los no chão do meu quarto com aquele ar confiante de que eu os ia ler a todos.
Entretanto, enquanto refletia sobre isto tudo, lembrei-me de um livro de banda desenhada que fui eu mesma que comprei! Fui eu mesma que fui guardando o troco da moeda de duzentos escudos da senha do almoço para o comprar, por isso é porque queria mesmo lê-lo.
Fui então tirar da estante do sótão esse MEU livro de banda desenhada para o reler (se bem que ainda me lembrava de quase tudo) e para vos falar hoje dele.

Nós, as mulheres 4
Cenas do nosso dia-a-dia 
Corria provavelmente o ano de 2004 e eu teria provavelmente 13 anos, o que me faria aluna do... 7º ano? Ou seria já 8º? Bem, por aí, uma criança ainda, é certo. Estava a decorrer na escola uma feira do livro e eu quis comprar um livro de banda desenhada com um cartoon de uma mulher com as maminhas à mostra na capa! Perguntam vocês: Com 13 anos? Pois! Sempre fui (ou pensei ser) muito madura para a idade, por isso quando vi o livro da Maitena "Nós, as mulheres 4 - Cenas do nosso dia-a-dia" achei que fazia todo o sentido comprá-lo! A verdade é que o desfolhei discretamente na feira do livro e vi cartoons mais marotos e como estava à beira da puberdade as hormonas terão sem dúvida falado mais alto. Hoje recordo-me disto e penso como é que numa escola que tem alunos do 5º ao 9º ano apenas me foram por livros destes à venda? O livro não tem nada de mal, já vão ver, mas continua a parecer-me deslocado para estar à venda numa escola básica!
Adiante, comprei o livro e não sei quanto tempo levei a lê-lo, mas sei que, contrariamente ao que seria de esperar, o livro me marcou. Tanto que, como já disse a cima, quando o fui buscar agora para o reler, lembrava-me mesmo de muitas coisas. 
É um livro de leitura mesmo muito fácil e é mais uma vez sobre mulheres (o Chapters&Scenes do mês passado também foi sobre mulheres). 
Basicamente este livro retrata cenas do dia-a-dia das mulheres de forma leve e engraçada.
A banda desenhada não tem uma história com início e fim. Está separada por temas e no fim de cada tema somos sempre levadas a pensar qual a nossa posição nesse mesmo tema e se será a mais correta ou não.
Com 13 anos, acredito que ao longo da leitura deste livro não tenha pensado nisto desta forma, mas desconfio que provavelmente algumas das coisas que li instalaram-se ali num espacinho do meu sub-consciente de tal forma que se calhar influenciaram-me em algum momento da minha vida.



Este livro caracteriza as mulheres nas várias relações: relações com as melhores amigas, com os homens, com a família e com elas próprias. Lemos passagens onde a autora - também mulher - tem uma capacidade incrível que troçar de nós mesmas e já isso é uma grande lição. Lemos outras passagem que mesmo sendo situações ridículas dá perfeitamente para percebermos de que fazemos precisamente essas coisas ridículas constantemente e para pensarmos que não temos de dramatizar tanto como a maioria das mulheres dramatiza. Podemos simplificar, podemos ser mulheres melhores e mais felizes.


A mulher sempre foi descrita como um bicho complicado e fazendo uma introspecção talvez usemos esse rótulo, do qual dizemos que não gostamos e ficamos muito ofendidas quando o usam, para desculpar muitos comportamentos típicos das mulheres. Na verdade seremos mesmo complicadas? Ou convém que o sejamos para podermos dramatizar e pedir atenção?


No fim de contas, este livro deixa-me com uma sensação muito boa dentro de mim. Deixa-me com a sensação de que cada vez mais gosto e tenho orgulho em ser mulher e deixa-me com aquela sensação de curiosidade e aventura que, por ser mulher, ainda vou experienciar coisas tão divertidas, tão caricatas e tão únicas (e ridículas às vezes) que a primeira coisa de que preciso para esta vida toda é só uma: ser mulher.

 
 

1 comentário:

  1. Que interessante esse livro, diferente de tudo que já li <33
    Parabéns pelo blog, já estou seguindo para poder acompanhar as novidades

    www.papomoleca.com.br

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Obrigada por tomares esta Chávena de Charme!
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